Uma forte tempestade na noite da última quinta-feira (29) resultou em uma tragédia para a fauna silvestre no povoado Passagem Boa, sudoeste do Maranhão. A queda de um eucalipto de grande porte, utilizado como abrigo por centenas de aves, causou a morte imediata de mais de 350 periquitos.
O cenário encontrado por moradores e especialistas na manhã seguinte era desolador. Entre galhos e o solo, apenas 27 aves foram resgatadas com vida. Sob a coordenação do médico-veterinário Leonardo Moreira (Uemasul) e do ICMBio, os sobreviventes foram levados para Imperatriz e, posteriormente, transferidos para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama, em São Luís.
Infelizmente, três aves não resistiram ao transporte. As 24 restantes apresentam quadros graves, incluindo:
Fraturas expostas nas asas;
Traumas crânio-encefálicos;
Sinais de choque hemorrágico.
Especialistas explicam que uma combinação de fatores biológicos e meteorológicos impediu a fuga dos periquitos:
Hábito Noturno: Por serem aves diurnas, os periquitos evitam voar à noite para não ficarem vulneráveis a predadores. Eles permanecem imóveis e aglomerados, o que dificultou a reação rápida.
Penas Encharcadas: Ao contrário de aves aquáticas, os periquitos não têm penas impermeáveis. A chuva intensa pesou sobre suas asas, tornando o voo de emergência quase impossível.
Velocidade da Queda: O eucalipto de 32 metros atingiu o solo com rapidez extrema. As aves que estavam no lado da árvore que teve contato direto com o chão não tiveram tempo de escapar.
"Aparentemente, as aves que estavam abrigadas do lado que teve contato com o solo não tiveram tempo de sair devido à velocidade da queda", explicou o professor Leonardo Moreira.
O Ibama e o ICMBio seguem monitorando as aves em São Luís, onde apresentam evolução clínica positiva. As autoridades ambientais emitiram um alerta importante para a população local: manter animais silvestres em casa é crime ambiental. Algumas pessoas recolheram aves feridas após o acidente e devem entregá-las aos órgãos responsáveis para garantir o tratamento adequado.
A expectativa é que, após a recuperação total das fraturas e do estresse pós-trauma, os sobreviventes possam ser reintroduzidos à natureza em uma área segura.
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