Uma operação de inteligência deflagrada nesta segunda-feira (20/4) revelou o estilo de vida luxuoso de lideranças do crime organizado no Rio de Janeiro. Imagens capturadas por drones da Polícia Civil (PCERJ) mostraram o traficante Ednaldo Pereira de Souza, o “Dada”, e seus aliados em um churrasco em uma mansão de alto padrão no Vidigal, com direito a piscina e vista privilegiada para a Praia do Leblon.
A tentativa de capturar "Dada" transformou a região em cenário de guerra. Houve um intenso confronto armado com apoio de helicópteros, o que forçou a interrupção das trilhas turísticas. Mais de 200 turistas que visitavam o topo do Morro Dois Irmãos ficaram ilhados e em pânico, sem conseguir descer devido aos disparos.
Apesar do cerco tático, o alvo principal conseguiu escapar por uma passagem estreita na comunidade, frustrando a prisão imediata do chefe do bando.
Embora o alvo principal tenha fugido, a Operação Duas Rosas 2 — uma ação integrada entre os MPs e as Polícias Civis da Bahia, Rio e Goiás — desarticulou peças fundamentais da engrenagem criminosa:
Núbia Santos Oliveira: Considerada a "Dama do Financeiro" do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), grupo baiano aliado ao Comando Vermelho. Ela era responsável pela lavagem de dinheiro e possuía mandados por tráfico e homicídio.
Patrick Cesar Tobias Xavier (o “Bart”): Preso usando documentos falsos, Bart é um dos criminosos mais procurados de Goiás. Seu nome integra o Projeto Captura do Ministério da Justiça, que monitora indivíduos de altíssima periculosidade.
Christian Fernandes Rodrigues da Silva: Mineiro flagrado com armamento de guerra, incluindo um fuzil Colt 5,56 e uma pistola 9mm com numeração raspada.
As investigações revelaram que a mansão foi alugada por "Dada" especificamente para que o grupo pudesse aproveitar o feriado de 21 de abril com ostentação. A escolha do imóvel, localizado em um ponto estratégico do Vidigal, servia tanto para o lazer quanto para monitorar a aproximação policial, dada a visão panorâmica da Zona Sul.
O material apreendido na residência e os depoimentos dos presos agora serão utilizados para mapear a rota de fuga de "Dada" e identificar outros imóveis de luxo utilizados pelo crime organizado como "bunkers de luxo" no Rio de Janeiro.