Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Lund revelou que o peso corporal acumulado ao longo da vida pode influenciar diretamente o risco de desenvolver diferentes tipos de câncer.
A pesquisa analisou dados de mais de 620 mil pessoas acompanhadas entre os 17 e os 60 anos de idade. Os resultados mostraram que tanto o excesso de peso no início da vida adulta quanto o ganho acelerado nas décadas seguintes estiveram associados ao aumento da incidência de diversos tumores.
O estudo foi publicado em 24 de abril na plataforma científica medRxiv e reforça evidências já conhecidas sobre a relação entre obesidade e câncer.
Os cientistas utilizaram informações do banco sueco Obesity and Disease Development Sweden (ODDS), que reúne registros de peso, altura e hábitos de saúde coletados entre 1911 e 2020. Os dados foram cruzados com diagnósticos de câncer registrados até 2023.
Ao todo, foram avaliados 251.041 homens e 378.981 mulheres. Cada participante teve, em média, quatro registros de peso ao longo da vida adulta. Para participar da análise, era necessário possuir pelo menos três medições corporais em diferentes fases da vida.
Os pesquisadores dividiram a trajetória do ganho de peso em três períodos:
Além do ganho de peso total, os cientistas também analisaram o peso corporal aos 17 anos e a idade em que a obesidade começou.
O grupo que mais ganhou peso acumulou, em média, cerca de 32 quilos durante a vida adulta, enquanto o grupo com menor variação corporal registrou aproximadamente oito quilos.
Segundo os resultados, o ganho mais intenso de peso esteve ligado ao aumento do risco de vários cânceres já associados à obesidade.
Nos homens, os maiores riscos foram observados para:
Entre as mulheres, o câncer de endométrio apresentou a associação mais forte com o ganho de peso ao longo da vida. Também houve aumento do risco de:
Os pesquisadores também identificaram que adolescentes com maior peso corporal apresentaram mais risco de desenvolver câncer na vida adulta. Outro fator importante foi a idade de início da obesidade: quanto mais cedo ela começou, maior foi a associação com determinados tumores.
Segundo os pesquisadores, o excesso de gordura corporal pode favorecer o desenvolvimento de tumores por meio de diferentes mecanismos biológicos, como inflamação crônica, alterações hormonais, aumento dos níveis de insulina e crescimento celular desregulado.
Os cientistas afirmam que a exposição prolongada à obesidade pode provocar alterações metabólicas contínuas no organismo, criando um ambiente favorável para o surgimento e crescimento de células cancerígenas.
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