A histórica e tensa disputa por passageiros entre taxistas e condutores de plataformas digitais ganhou um capítulo sangrento na madrugada do último sábado (23). Um motorista de aplicativo foi brutalmente esfaqueado no peito por um taxista no Aeroporto Senador Petrônio Portella, em Teresina. O agressor foi detido em flagrante e, de acordo com informações confirmadas pela Polícia Civil do Piauí, deve responder formalmente pelo crime de tentativa de homicídio.
Segundo o relatório da investigação conduzida pela 2ª Delegacia de Polícia de Teresina, a confusão teve início na calçada de desembarque do terminal de passageiros. Um usuário teria optado por realizar o trajeto com o taxista, decisão que desagradou o motorista de aplicativo, iniciando uma discussão áspera entre os dois profissionais da área.
De acordo com o chefe de investigação Humberto Pereira, o taxista realizou o transporte do cliente até o destino final, mas não deu o caso por encerrado. Ao retornar ao aeroporto, o homem armou-se com uma faca do tipo punhal na cintura e procurou o rival para uma nova rodada de confrontação. Durante o segundo bate-boca, o suspeito sacou a arma branca e desferiu uma facada certeira contra a região do tórax da vítima. O motorista de aplicativo recebeu os primeiros socorros de emergência de equipes do terminal rodoviário e foi transferido às pressas para um hospital da capital, onde passou por uma cirurgia de urgência. Ele está em recuperação e seu quadro de saúde é considerado estável.
O ataque chocou a categoria de transportes e ligou um sinal de alerta sobre possíveis atos de vingança. O Sindicato dos Trabalhadores de Transportes de Passageiros e Entregas por Aplicativo no Piauí (Sinttapp) manifestou profunda preocupação com os desdobramentos sociais do evento. "A gente se preocupa com o motorista que foi brutalmente esfaqueado, mas também com o que pode vir a acontecer depois, da classe se revoltar. Queremos harmonia", afirmou Maria do Rosário Viana, diretora da entidade.
Por outro lado, motoristas de táxi que atuam de forma fixa no aeroporto aproveitaram o espaço para criticar a falta de fiscalização contra motoristas que trabalham de maneira irregular ou sem cadastro nas redondezas do terminal, alegando que o mercado paralelo inflama os ânimos. Em nota oficial, a concessionária Motiva Aeroportos, que administra o terminal, informou que acionou imediatamente os órgãos de segurança pública durante o incidente e reforçou que mantém campanhas institucionais e diálogo com as autoridades de trânsito para coibir práticas de transporte clandestino no perímetro do aeroporto.