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Grupo que usa falso site do governo para aplicar golpes é alvo de operação

12/11/2025 18h16
Por: Redação
Reprodução
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A Polícia Civil do Rio Grande do Sul (PCRS) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (12), a Operação Plano de Contingência, contra um grupo criminoso especializado em aplicar fraudes eletrônicas em massa a partir da criação de páginas falsas do Governo Federal.

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A ação cumpre nove mandados de busca e apreensão, além de bloqueio de contas bancárias e bens em Minas Gerais e São Paulo. Segundo as investigações, o grupo utilizava técnicas de engenharia social e inteligência artificial para enganar vítimas em todo o país.

Golpes com “deepfakes” de Lula e Bonner

De acordo com a Polícia Civil, o esquema usava uma estrutura criminosa sofisticada que se passava por uma campanha oficial do governo. Os golpistas prometiam indenizações de até R$ 6 mil a brasileiros que teriam sido vítimas de um suposto vazamento de dados pessoais.

Para dar credibilidade às falsas promessas, o grupo utilizava vídeos manipulados com inteligência artificial (deepfakes), nos quais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o jornalista William Bonner apareciam “confirmando” as informações dos anúncios.

Esses vídeos eram divulgados em propagandas pagas nas redes sociais, que levavam o público a sites falsos visualmente idênticos ao portal oficial do Governo Federal.

Como o golpe funcionava

Ao acessar o site, a vítima era orientada a inserir o CPF para uma suposta verificação. Em seguida, recebia a mensagem de que teria direito ao valor prometido, mas precisaria pagar uma pequena taxa via PIX para liberar o depósito.

As investigações apontam que os pagamentos eram direcionados a um gateway de pagamentos, empresa intermediária que processava as transações. O sistema era controlado pelo grupo, e o dinheiro era rapidamente transferido entre contas em Minas Gerais e São Paulo.

O dono do gateway seria um jovem de 24 anos, de Conselheiro Lafaiete (MG), enquanto o operador técnico, responsável por manter o anonimato e a estrutura digital, teria 25 anos, também da mesma cidade.

Prejuízo de mais de R$ 1,3 milhão

A análise do fluxo financeiro permitiu à polícia rastrear as transações desde o pagamento da vítima até o destino final do dinheiro, que passava por contas “laranjas”.
O golpe causou um prejuízo estimado em R$ 1,3 milhão e atingiu centenas de vítimas em todo o Brasil, principalmente idosos com mais de 70 anos — alguns ultrapassando os 80, considerados hipervulneráveis.

O que é o “Plano de Contingência”

O nome da operação faz referência ao modelo de negócio dos principais investigados, que são donos de empresas voltadas à venda de contas de anúncios e perfis de redes sociais “aquecidos” — ou seja, já prontos para uso em golpes.

No jargão do cibercrime, esse serviço é conhecido como “plano de contingência”, utilizado para driblar bloqueios e rastreamento de plataformas digitais.

Objetivos da operação

Além das buscas, a polícia busca apreender computadores, celulares, veículos de luxo e outros bens adquiridos com dinheiro ilícito. Também foram determinadas ordens de bloqueio de valores, com o objetivo de ressarcir as vítimas.

A PCRS destacou que o grupo operava de forma altamente organizada, com o uso de VPNs e proxies para dificultar o rastreamento. As investigações seguem em andamento para identificar outros possíveis envolvidos e o total de vítimas do esquema.

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