O sonho de construir uma vida melhor longe de casa terminou em uma terrível violência na madrugada da última terça-feira (26). O vigilante Leandro dos Santos Sales foi brutalmente assassinado a golpes de facão durante o seu turno de trabalho em um canteiro de obras localizado na Rua Romeu Margonari, no bairro Santa Mônica. O autor do crime, um homem de 28 anos com uma extensa ficha criminal, foi capturado em um esconderijo incomum: ele estava entocado dentro das tubulações do próprio prédio em construção.
Segundo revelou o delegado responsável pelo caso, Carlos Fernandes, o cativeiro de obras já havia sido alvo do mesmo criminoso apenas três dias antes. Na primeira invasão, Leandro cumpriu seu papel e acionou a Polícia Militar ao flagrar o suspeito cortando cabos. O assaltante conseguiu fugir daquela vez, mas decidiu retornar na madrugada de terça com um único objetivo: subtrair a fiação de cobre para trocar por pedras de crack.
Ao invadir o local novamente por volta das 4h, o criminoso foi surpreendido pelo vigilante. Os dois entraram em uma violenta luta corporal. No meio do confronto, o invasor conseguiu se apoderar de um facão e desferiu golpes fatais na região do rosto e do peito de Leandro. O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas encontrou a vítima já sem vida no chão da construção. O facão foi localizado e apreendido pela perícia técnica da Polícia Civil.
Após o assassinato, os militares do batalhão local realizaram um cerco tático no perímetro do edifício. Ao perceberem movimentações suspeitas nos andares superiores, os policiais iniciaram uma varredura minuciosa e encontraram o agressor espremido dentro da rede de tubulações da estrutura. Ele apresentava ferimentos pelo corpo causados pela reação defensiva do vigilante.
Na delegacia, o criminoso tentou usar uma manobra jurídica para escapar da severa pena de latrocínio (roubo seguido de morte, cuja punição pode chegar a 30 anos). Ele alegou que teria retornado ao local apenas para "acertar contas" com o segurança por causa do desentendimento anterior, configurando um homicídio comum. A farsa, contudo, foi descartada pela Polícia Civil, já que o intuito principal continuava sendo o roubo dos insumos da obra.
A vítima, descrita por familiares como um homem pacífico e extremamente trabalhador, morava sozinha em Uberlândia há cinco anos, mantendo o restante de seus parentes em Araióses, no Maranhão. Abalada e sem recursos financeiros imediatos, a família agora busca ajuda para realizar o traslado do corpo de volta ao estado natal, onde pretendem realizar o sepultamento. A construtora responsável pela obra emitiu uma nota lamentando profundamente a perda do colaborador e garantindo suporte aos familiares.
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