Um rastro de abusos cometidos dentro de consultórios médicos está sendo desvendado pela Polícia Civil de Goiás (PCGO). O ginecologista Marcelo Arantes Silva é o alvo de uma investigação que já conta com o depoimento de cinco mulheres, com idades entre 25 e 45 anos, que relatam episódios sistemáticos de violência sexual durante consultas e exames.
Segundo a Delegacia Estadual de Atendimento Especializado à Mulher (Deam), o médico seguia um roteiro para silenciar suas vítimas. Primeiro, buscava conquistar a confiança com um atendimento atencioso. Depois, passava a realizar exames sem luvas, fazia perguntas invasivas sobre a vida sexual das pacientes e comentários obscenos, chegando a questionar se elas sentiam prazer nos procedimentos.
A delegada Amanda Menuci ressaltou a gravidade de um dos relatos: uma paciente, tentando se proteger, levou a filha para a consulta, mas o médico não se intimidou e repetiu os atos libidinosos na presença da criança. Há ainda a denúncia extrema de prática de sexo oral durante um atendimento.
Diferente de casos de fraude sexual, a polícia tipificou o crime como estupro de vulnerável. A justificativa é técnica e psicológica:
Impossibilidade de Resistência: No ambiente clínico, as pacientes eram colocadas em posição ginecológica, muitas vezes com as pernas presas, o que impedia qualquer reação física imediata.
Desvantagem Técnica: A autoridade do médico e o desconhecimento técnico da paciente sobre o que seria um "exame normal" eram usados para camuflar o crime.
Apesar de o Ministério Público e a Justiça terem negado o pedido de prisão preventiva, Marcelo Arantes Silva cumpre medidas cautelares rigorosas. Ele está proibido de manter contato com as vítimas, não pode deixar a cidade e teve seu registro profissional suspenso pelo Conselho Regional de Medicina (CRM-GO) por determinação judicial.
A foto do médico foi divulgada pela PCGO para incentivar que outras possíveis vítimas procurem a delegacia. "Acreditamos que o número de mulheres atingidas seja muito maior", afirmou a delegada.
Em nota, o Cremego confirmou que o registro do médico já consta como suspenso em seu sistema e que abriu sindicâncias sob sigilo para apurar a conduta ética do profissional e das unidades de saúde onde ele atuava.
A defesa de Marcelo Arantes Silva não foi localizada até o momento. O espaço permanece aberto para que seus advogados apresentem o contraponto às acusações.
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