O que deveria ser o último adeus transformou-se em um pesadelo sem fim para três famílias catarinenses. Mônica Raquel Guadagnin precisou sepultar seu filho, Juliano Henrique Guadagnin, de 24 anos, duas vezes após uma sucessão de erros no Instituto Médico Legal (IML) da capital. O caso, ocorrido em abril, revelou uma falha sistêmica na identificação e liberação de corpos.
No dia 9 de abril, três corpos deram entrada no IML: Juliano (vítima de acidente de moto), Denner e Patrick (vítimas de homicídio). Por uma falha no fluxo de saída, o corpo de Denner foi entregue à família de Juliano, e o de Patrick foi entregue à família de Denner. Juliano, por sua vez, permaneceu no IML enquanto outra pessoa ocupava seu túmulo.
A troca só foi descoberta quando a família de Patrick foi fazer o reconhecimento e percebeu que o corpo no instituto não era o dele.
Um dos pontos mais polêmicos do caso é o relato de uma agente funerária. Segundo ela, servidores do IML teriam sugerido que o erro fosse "escondido" das famílias, mantendo os corpos trocados para evitar o escândalo. A Polícia Científica nega veementemente essa proposta e afirma que o próprio sistema interno detectou a inconsistência.
Para corrigir o erro, foi necessário realizar exumações judiciais. Mônica só conseguiu enterrar o verdadeiro Juliano quatro dias após a morte dele. "Eu carreguei o caixão de outra pessoa achando que era meu filho. Só quero a verdade", desabafou a mãe, que agora busca responsabilização judicial.
Em nota oficial, a instituição reconheceu o "erro operacional", pediu desculpas às famílias e informou que a Corregedoria está apurando as responsabilidades. Protocolos de custódia e liberação de corpos estão sendo revisados para que o episódio, classificado como uma "exceção lamentável", não se repita.
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