Lexi Brown tinha 14 anos e se recuperava de sintomas gripais em casa, no condado de Essex, Inglaterra, quando começou a sentir dores intensas e perdeu os movimentos do braço.
Assustada, ela ligou para a mãe pedindo ajuda. Pouco depois, a adolescente parou de respirar e precisou ser reanimada por paramédicos com manobras de ressuscitação cardiopulmonar.
A jovem foi levada às pressas para o Addenbrooke’s Hospital, em Cambridge, onde os médicos decidiram colocá-la em coma induzido por cinco dias enquanto investigavam o que havia provocado o quadro grave. Quando acordou, Lexi estava tetraplégica.
Os exames mostraram que a adolescente sofreu um AVC espinhal, condição rara causada pela interrupção do fluxo sanguíneo na medula espinhal. Segundo relatos da família, os médicos não encontraram doenças prévias que justificassem o problema. A principal suspeita é de que a complicação tenha ocorrido durante a recuperação da gripe.
Apaixonada por canto, dança e teatro musical, Lexi também passou a depender de uma traqueostomia para respirar e falar.
Essa nova condição foi especialmente difícil para a adolescente porque cantar fazia parte da rotina dela antes da internação. Através de redes sociais a mãe, Stacy Grantham, afirmou que a filha “perdeu tudo o que amava”.
O que é um AVC espinhal
O AVC espinhal, também chamado de AVC na medula, acontece quando o fluxo de sangue que leva oxigênio e nutrientes para a medula espinhal é interrompido. A condição é considerada rara e diferente do AVC cerebral, mais conhecido pela população.
De acordo com a Cleveland Clinic, a medula espinhal funciona como uma espécie de “ponte” entre o cérebro e o restante do corpo. Quando há falha na circulação sanguínea da região, células nervosas podem morrer rapidamente, causando danos neurológicos graves.
O problema pode surgir após bloqueios em artérias, formação de coágulos ou redução importante da circulação sanguínea. Em alguns casos, infecções, inflamações e alterações vasculares também podem estar associadas ao quadro. Os sintomas costumam aparecer de forma súbita. Entre os principais sinais estão:
Dor forte nas costas ou no pescoço;
Fraqueza muscular;
Perda de sensibilidade;
Dificuldade para movimentar braços e pernas;
Alterações respiratórias.
Dependendo da área atingida na medula, o paciente pode desenvolver paralisia parcial ou total. Também podem ocorrer perda do controle da bexiga e do intestino, além de dificuldades para respirar sem auxílio de aparelhos.
Especialistas apontam que o diagnóstico pode ser difícil porque muitas pessoas não associam sintomas neurológicos a um problema na medula espinhal. Além disso, o AVC espinhal é muito menos frequente do que o AVC cerebral.
Recuperação pode ser lenta e exigir reabilitação intensa
O tratamento depende da gravidade da lesão e da causa do AVC. Muitos pacientes precisam passar por fisioterapia intensiva, terapia ocupacional e acompanhamento neurológico prolongado.
Em alguns casos, parte dos movimentos pode retornar com a reabilitação. Ainda assim, sequelas permanentes podem permanecer, principalmente quando há lesão extensa na medula.
Lexi, hoje com 15 anos, continua internada e faz fisioterapia intensiva para tentar recuperar funções motoras. Segundo a família, ela voltou a movimentar parcialmente os membros e já consegue respirar sozinha durante parte do dia, embora ainda use ventilação mecânica em alguns períodos. A adolescente também consegue falar por meio da traqueostomia, mas segue sem conseguir realizar tarefas básicas de forma independente.
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