Uma sequência de imagens chocantes capturadas por câmeras de monitoramento revelou a frieza do suspeito de causar a morte do motociclista Roberto Henrique Godoi Júnior, de 40 anos, no último domingo (24). O trabalhador perdeu a vida ao ter o pescoço cortado por uma linha chilena — material proibido por lei que possui poder de corte quatro vezes maior que o cerol comum. O circuito de segurança flagrou o momento exato em que o responsável pelo material recolhe o carretel da rua e corre para tentar escondê-lo com um vizinho.
De acordo com as investigações lideradas pelo delegado Adriano Marreiro, o suspeito, um homem de 46 anos que já foi formalmente identificado e está foragido, percebeu imediatamente o impacto da linha na vítima. No entanto, ao invés de acionar os serviços de emergência médica, sua prioridade foi apagar os vestígios do crime.
O áudio gravado pela câmera da rua registrou a conversa explícita e assustadora do suspeito tentando se livrar do carretel com moradores da vizinhança:
Suspeito: "Ei! Guarda essa linha pra mim! Guarda essa linha pra mim aqui que eu vi que cortou o pescoço do cara ali."
Vizinho: "Guarda lá na casa do Branco lá".
Suspeito: "Guarda aí mesmo. Depois eu pego".
"A princípio, até parece que ele foi ao local para prestar socorro, mas não foi. Ele foi recolher a linha, recolheu e se evadiu. Na sequência, procurou um vizinho para que escondesse o material", detalhou o delegado responsável pelo caso em entrevista à TV TEM.
As imagens de segurança também registraram o momento do acidente. Roberto transitava com sua motocicleta quando foi surpreendido pela linha esticada, perdeu o controle da direção e caiu abruptamente no asfalto. Ele chegou a ser socorrido por testemunhas e levado às pressas para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Garça, mas a gravidade da hemorragia na região cervical impediu a reversão do quadro. O corpo da vítima foi sepultado na segunda-feira (25), em São José dos Campos (SP), cidade onde residem seus familiares.
Diante da robustez das provas materiais e do comportamento de fuga do autor, a Polícia Civil registrou o caso na Delegacia de Marília como homicídio com dolo eventual — modalidade criminosa aplicada quando o agente, ao utilizar um elemento altamente perigoso e proibido em via pública, assume deliberadamente o risco de produzir o resultado morte. O delegado Adriano Marreiro já protocolou o pedido de prisão preventiva do suspeito junto ao Poder Judiciário e equipes policiais realizam buscas na região para capturar o homem.
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