Um momento de rotina familiar transformou-se em um cenário de horror e desespero para a empresária Soraia Belizário de Medeiros. Ela sobreviveu milagrosamente após ser prensada entre uma caminhonete e um ônibus de transporte escolar no município de Luziânia, no Entorno do Distrito Federal. O acidente, que resultou em impressionantes 21 fraturas pelo corpo da vítima, foi inteiramente registrado por câmeras de segurança da região, expondo o sofrimento da mulher e a gravidade do impacto.
O caso aconteceu quando Soraia estava na calçada conversando calmamente com o seu irmão, Carlos Medeiros da Costa, ao lado da porta de uma caminhonete. Segundo o relato da vítima, eles ocupavam um recuo de pista considerado seguro e livre do fluxo regular de automóveis, o que impediu a percepção visual de que o veículo de grande porte se aproximava perigosamente em uma rota de colisão de raspão.
As imagens do circuito de monitoramento mostram o momento exato em que o ônibus escolar faz uma conversão fechada e prensa a empresária contra a lateral do utilitário do irmão. Testemunhas e condutores de outros veículos que passavam pelo local começaram a buzinar desesperadamente para alertar o motorista do ônibus sobre o esmagamento em curso. No entanto, de acordo com o irmão da vítima, ao ouvir os barulhos, o condutor acelerou o ônibus para tentar desvencilhar o veículo, o que acabou esmagando ainda mais a estrutura óssea da mulher. "Quando ele acelerou, eu comecei a quebrar. A lembrança que eu tenho é que eu gritava para o meu irmão que eu iria morrer", relembrou Soraia.
Soraia foi socorrida às pressas e permaneceu internada por 15 dias em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Atualmente em recuperação domiciliar, a empresária enfrenta limitações severas de mobilidade e dores intensas, dependendo de forte suporte medicamentoso, uma vez que as fraturas atingiram regiões críticas da bacia e da coluna vertebral, impedindo-a inclusive de se sentar.
O desdobramento judicial do caso caminha para um impasse. O advogado de Soraia, Vagner de Paula, revelou que tentou agendar reuniões com os representantes da empresa de transporte para discutir o custeio de medicamentos, insumos e assistência de enfermagem, mas todos os encontros foram desmarcados de última hora pela empresa. "Eu percebi que ela [a empresa] não tinha interesse em pleitear um acordo ou uma ajuda", lamentou o defensor.
Em nota oficial enviada à imprensa, a companhia responsável pelo ônibus escolar alegou que o motorista envolvido é um profissional devidamente habilitado e capacitado. A empresa afirmou ainda que permanece à disposição das autoridades de trânsito para esclarecimentos e ressaltou que todas as circunstâncias do local, dinâmica e registros do dia do acidente deverão ser rigorosamente considerados antes de qualquer atribuição definitiva de responsabilidade civil ou criminal.
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